quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Vai visitar Lisboa ? Aproveite e veja essa casa que trata sua fome e sua sede.


Bar Retiro do Baco

Começou por ser um túnel de acesso às cavalariças do Palácio das Necessidades, em Lisboa, tem mais de duzentos anos de história e uma aura mágica. Chama-se Retiro do Baco, abriu as portas no início de Outubro com a missão de servir vinhos e petiscos ao som de fados e guitarradas. Para quem goste do néctar dos deuses e para quem não goste também.

Onde é que se pode beber um copo de um bom vinho e comer uma tábua de queijos às duas da manhã em Lisboa?". Foi para encontrar uma resposta para esta pergunta que José Manuel Jerónimo e João Santos, amigos de longa data, resolveram abrir um "wine bar" na cidade alfacinha. O espaço descoberto há mais de cinco anos foi o grande motor de arranque. Um anúncio no jornal que chamou a atenção, uma visita ao local que veio a revelar-se decisiva. "Quando aqui chegámos e nos deparámos com este espaço, nem queríamos acreditar no que estávamos a ver", relembra João Santos. O que estavam a ver era nada mais do que uma sala com cerca de trezentos metros de comprimento por quatro de largura, paredes de pedra natural, tectos abobados em tijolo, porta de madeira maciça com ferrolho de ferro. "Tudo datado de 1740, altura em que este espaço era um túnel que fazia a ligação entre Alcântara e as cavalariças do Palácio das Necessidades. Era por aqui que passavam os cavalos", explica José Manuel Jerónimo.

Encantados com o local, os dois sócios fizeram da preservação um ponto de honra. Mandaram vir arquitectos de Itália que lhes sugeriram a melhor maneira de conservar a humidade própria da pedra, deixando-a respirar. Fizeram o mínimo de intervenção possível, mantiveram o ar medieval, rematado com o chão de tijoleira, as cadeiras de ferro. As luzes são baixas, as cartas de vinhos feitas de cortiça. "Nada foi deixado ao acaso, os copos, a carta, o serviço são para nós a referência da casa", salienta João Santos. Como exemplo, os copos onde é servido o vinho são da marca Schott - Zwiesel, "uma das melhores marcas de copos para degustação", acrescenta o proprietário do espaço.

"Consoante o vinho que se esteja a beber faz toda a diferença o copo em que este é servido. Há copos próprios para vinhos mais encorpados, para vinhos mais frutados, para vinhos mais jovens...", explica João Santos. E para lá dos copos, como "este é um público muito exigente", os senhores do Retiro do Baco não descuraram também a carta que apresentam. Nas opções a copo, tanto de branco como de tinto, a aposta vai não só para a qualidade como para a rotatividade. "A ideia é que uma pessoa que venha cá de quinze em quinze dias e peça vinho a copo possa provar sempre vinhos diferentes."

Já nos vinhos a garrafa, a escolha é vasta, com mais 150 rótulos provenientes não só de Norte a Sul de Portugal como também de diversos países, como Austrália, França, Itália, Canadá e Chile. Da carta, os dois sócios salientam a presença de alguns vinhos de referência. Entre os brancos, o austríaco Anton Bauer Ried Berg Riesling, o Yvon et Pascal Tabordet Saucerne do Vale do Loire e o Quinta da Bacalhôa. Entre os tintos, o José de Sousa Mayor e o Hexagon, ambos da casa José Maria da Fonseca. O tinto Quinta do Carmo 2004 e o David Huband Vosne Romanée C, colheita 2005 são outras das boas opções que o Retiro do Baco apresenta.

Para quem quer experimentar algo de diferente, este novo Wine Bar oferece ainda a possibilidade de degustar Ice Wine, um vinho cujas bagas são colhidas já congeladas, em pleno Inverno, à noite. A vindima é feita entre Dezembro e Janeiro. "Para as senhoras que não apreciem vinho, temos ainda um vinho italiano chamado "Sangue de Judas", que é um vinho tinto frisante com aroma a amoras, framboesas e que é servido à temperatura de um branco."
Para acompanhar os sabores etílicos, o Retiro oferece sons de fado - por enquanto apenas em CD - e tábuas de petiscos. Bons azeites para molhar no pão, azeitonas salteadas, paio Pata Negra, chouriço de Arganil, lombo de porco ibérico, queijo de cabra transmontano, Taleggio e São Jorge, entre outras variedades artesanais feitas com leite cru. Tudo isto acompanhado de compotas de framboesa, cereja ou abóbora. Para comer, beber e voltar a repetir.

Petiscos para o futuro
Como não há nada melhor para acompanhar um bom copo do que uma boa iguaria, o Retiro do Baco tem já na calha uma ementa recheada de sabores a saltarem em breve para a mesa. Para ir abrindo o apetite, aqui vão alguns exemplos do que por lá vai haver: migas de perdiz de escabeche, miniaturas de pato com laranja, croquetes de queijo de cabra, folhados de capão com "foie" e maçã caramelizada, vulcão de cordeiro confitado. No que toca às sobremesas, a pirâmide de chocolate crocante e o requeijão com doce de abóbora serão num futuro próximo as primeiras opções.

Estacionamento
Podia ser mais fácil, mas também podia ser mais difícil. Não há parques por perto, mas também não há parquímetros e a polícia local é benevolente.


Local: Lisboa, Rua Prior do Crato, 6


Horários: Segunda a quinta das 18h00 às 02h00
Sexta e sábado das 18h00 às 04h00


Preços: Preços das bebidas: vinho a copo entre os 2 e os 7,50 euros; vinho a garrafa entre os 12 e os 70 euros; cerveja entre os 2 e os 3 euros; bebidas brancas entre os 6 e os 12,50 euros; cocktails a 7 euros; sumos a 2 euros; café Nespresso a 1,50 euros.


Obs.: Comida: tábuas de queijos entre os 8 e os 10 euros e tábuas de enchidos entre os 4 e os 6 euros. Espetadas de frango com ananás ou de porco com molho doce e chamuças de queijo feta e menta (por agora gratuitas, preço a definir no futuro). Pode-se fumar em todo o bar.


Catarina Serra Lopes

www.clix.pt

terça-feira, 20 de outubro de 2009





NOVO BAG IN BOX

COM 2,25 LITROS

O produtor de Vinho Constellation Europe desenvolveu uma nova embalagem de Bag in Box.

O projeto começou em abril de 2008, mantém

os vinhos frescos por até seis semanas, vai substituir caixas de vinho 3 litros com uma nova caixa de 2,25 litros que pode ser manipulado de maneira diferente dependendo se for de vinho tinto ou branco.

David Cunningham, vice-presidente de desenvolvimento de negócios na Europa Constellation, diz que o branco será armazenado horizontalmente “para torná-lo mais amigável na geladeira e o tinto será armazenados verticalmente”.

No momento esta embalagem estará a venda apenas na Inglaterra com os vinhos da Hardys Nottage Hill, aqui no Brasil teremos que esperar a iniciativa dos vinicultores brasileiros e também das indústrias de embalagens locais.

EDUARDO TLACH

VINHO AO SEU ALCANCE



quinta-feira, 8 de outubro de 2009

VINHO DE MESA

Vinho Dom Bosco, da Cereser, presta sua homenagem ao Círio de Nazaré

www.revistafator.com.br

O Vinho Dom Bosco, um produto da Cereser - empresa que preza e apóia as tradições brasileiras - presta sua homenagem ao Círio de Nazaré, que há mais de 200 anos é, para a população de Belém do Pará, um marco de devoção à Nossa Senhora de Nazaré, padroeira da cidade. Mesmo aqueles que não são católicos acabam se rendendo à contagiante manifestação de fé, tão ou mais importante que o Natal para a região.

São 15 dias de festividades que culminam com uma procissão no segundo domingo de outubro (dia 11) que sai da Catedral da Sé e vai até a Basílica Santuário, percorrendo 4,5 km e encerrando-se no "Recírio” (quando os paraenses se despedem de sua padroeira, após a grande procissão de domingo, como uma despedida entre mãe e filho).

O Vinho Dom Bosco marca presença na Festa patrocinando a cobertura do Círio de Nazaré em duas rádios locais de grande expressividade. Além disso, a ação promocional contempla ainda a implementação de 25 outdoors em pontos estratégicos da cidade e distribuição de abanadores aos participantes da procissão.

Vinho Dom Bosco - Uma bebida para todos os momentos! É assim que podemos descrever o Vinho Dom Bosco, um dos produtos mais antigos da Cereser. Lançado em 1947, o vinho é elaborado a partir da combinação de uvas Isabel e Bordeaux e está disponível nas versões Tinto Suave, Tinto Seco e Branco Suave.

Dotada de modernos equipamentos que garantem a qualidade do que produz, a Cereser possui fábricas em Jundiaí (SP) e Suape (PE). A empresa atualmente exporta parte de sua produção para Venezuela, Chile, Uruguai, Paraguai, Bolívia, China, Japão, Angola, Namíbia, entre outros, totalizando mais de 40 países.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

ALMADEN VENDIDA PARA A MIOLO

A Pernod Ricard vendeu a Almaden para a Miolo Wine Group.

A negociação inclui os direitos da marca, o vinhedo e a fábrica da Almaden em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul. O valor não foi revelado e a negociação deverá ser concluída até o final deste ano.

EDUARDO TLACH

VINHO AO SEU ALCANCE

O LENTO ADEUS A CORTIÇA

Interessante matéria de Reinaldo Paes Barreto, no site www.enoeventos.com.br

Até o início do século 18, os bebedores de vinho não dispunham nem da rolha, nem da garrafa atuais. O vinho era retirado dos tonéis logo após a fermentação e colocado em odres, ou ânforas, as quais eram vedadas precariamente com tampões de linho, ou estopas, embebidos em linhaça, e ali permanecia o menor tempo possível, isto é, até ser colocado em pequenas jarras e transportado à taça dos convidados - que o bebiam, portanto, ainda jovem.

A descoberta da rolha de cortiça e da garrafa foram, por conseguinte, as maiores conquistas enológicas de todos os tempos!

A rolha de cortiça é retirada da casca do sobreiro – quercus suber - árvore de crescimento demorado (30 anos), encontrada basicamente em Portugal, na Espanha e na Grécia, e só a partir de 1700 passou a ser amarrada por barbantes às garrafas. Nessa época, era formada de cubos maciços de cortiça com arestas aparadas; só em 1820 surgiu o primeiro dispositivo para produzir rolhas cilíndricas. Ainda hoje, a sua vida útil varia em média de 20 a 50 anos.

Antes de ser colocada no topo do gargalo, a rolha deve ser esterilizada de forma padronizada e científica. A incorreta esterilização pode introduzir nas garrafas resíduos de cloro, fenóis, umidade e mofo (conhecido como TCA), que provoca o “gosto de rolha velha” - bouchonné.

As outras duas modalidades de vedação são a rolha sintética e a tampa de rosca, ou screw-cap.

A rolha sintética é, hoje, uma realidade no mundo do vinho. A Nomacorc, por exemplo, está se unindo à Universidade Católica do Chile, para iniciar um estudo visando melhorar a qualidade dos vinhos, isto é, dosando a entrada de oxigênio para estimular seus aromas e evolução. A rolha sintética é utilizada largamente no mundo, às vezes pura, outras vezes como "miolo" da de cortiça.

Agora, a polêmica screw-cap. Os primeiros produtores a utilizá-la foram os da Nova Zelândia e da Austrália, desde o final dos anos 90. Hoje, até a França aderiu – eles lá chamam de stelvin – e, atualmente, há bons rótulos de borgonhas e bordeaux no mercado com esse tipo de vedação. É como uma tampa de refrigerante, revestida de um material que pode ficar em contato com o vinho. Suas vantagens são as de apresentar 0% de risco de contaminação aromática, poder ser tirada e recolocada na garrafa, além de ser altamente indicada para vinhos que não necessitam da presença do oxigênio para melhorar.

"É melhor uma tampa de rosca do que uma rolha ruim", diz Paulo Nicolay, enólogo que assina as cartas de vinhos de vários restaurantes cariocas.Dionísio Chaves, sommelier premiado e responsável pela carta e serviço de vinhos do Fasano-Rio, concorda: "Acho que a tampa de rosca é a única saída para vinhos jovens. Com a quantidade de vinhos que estão sendo engarrafados no mundo, não há cortiça que dê conta. Só vai ter rolha boa para vinhos de grande guarda. E, mesmo para esses "longevos", os produtores da screw-captêm a resposta: já são produzidas tampas com diferentes materiais, de acordo com o "perfil do vinho". Ou seja: tampas com micro-orifícios, para vinhos a serem consumidos em até 10 anos."

Moral da história:

A rolha de cortiça tem todo o charme de ser algo antigo, tradicional, faz parte do imaginário de uma garrafa de vinho. Por outro lado, o custo da matéria-prima mais o processamento é alto e às vezes chega a custar entre 25 e 50 cents de euro, podendo chegar a 1 euro - mais do que o preço de custo de um litro de alguns vinhos.

As rolhas sintéticas são mais em conta e barateiam o custo de produção do vinho, mas não têm o charme e a tradição das rolhas de cortiça, nem a aparência de modernidade das de metal.

As screw-cap são as mais baratas de todas, custando no máximo 25 cents de euro. E a maioria já apresenta micro-furos que permitem a passagem de ar. Vinhos australianos, neo-zelandeses, franceses, americanos e alguns chilenos e argentinos já estão adotando este novo formato.

Provocação: já pensaram num Petrus, ou um Barbaresco, ou um Opus Onecom screw-cap? É difícil, mas é bom deixar a emoção de lado, porque a vida é a arte do possível e qualquer dia vão embelezar tanto o design da screw-cap, - com nano-reproduções de Portinari, Di, Fukuda, etc... - que não sei não... O consolo é que o bom, mesmo, é o vinho: a gente não bebe nem a garrafa nem a tampa! Saúde.